sexta-feira, 18 de setembro de 2026
ELEIÇÕES

Eleições 2026: cinco desafios que devem pautar o debate sobre políticas públicas

As eleições de 2026 devem colocar no centro do debate temas como alfabetização, integração das forças de segurança, saúde mental, crédito rural e cumprimento de metas ambientais. Especialistas ouvidos pela Câmara dos Deputados destacam desafios de curto, médio e longo prazo.
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As Eleições 2026 devem ser marcadas por debates sobre políticas públicas que exigem decisões imediatas e planejamento de longo prazo. Educação, segurança pública, saúde mental, agronegócio e meio ambiente estão entre os temas apontados por especialistas como prioritários para os próximos governos e legislaturas.

Os brasileiros irão às urnas em 4 de outubro de 2026. Nesse cenário, a discussão eleitoral não se limita à escolha de candidatos. Também envolve a continuidade de programas, a definição de prioridades orçamentárias, mudanças na legislação e a capacidade de transformar compromissos de campanha em ações concretas.

Os assuntos foram analisados em entrevistas do programa Painel Eletrônico, da Rádio Câmara, em uma série especial sobre as eleições. O conteúdo original está disponível na Agência Câmara de Notícias.

Educação deve exigir metas e continuidade

Na área da educação, os principais desafios envolvem alfabetização, aprendizagem e valorização dos profissionais. Segundo Talita Nascimento, diretora de relações governamentais do Todos pela Educação, a preocupação dos eleitores com o tema aparece em pesquisas de opinião.

Levantamento do Instituto Ideia, encomendado por entidades da sociedade civil, indica que 71% dos brasileiros consideram as ações do governo na educação na hora de decidir o voto. O mesmo estudo aponta que 83% defendem que a área esteja entre as três prioridades dos próximos governadores.

Além das medidas de efeito mais imediato, os eleitos terão de lidar com metas e estratégias previstas no Novo Plano Nacional de Educação, aprovado pelo Congresso e sancionado em 2026. O desafio, portanto, será conciliar respostas para problemas atuais com políticas capazes de produzir resultados ao longo dos próximos anos.

Segurança pública depende de integração

O combate à criminalidade também deve ocupar espaço central nas Eleições 2026. Para o consultor legislativo da Câmara dos Deputados Lucas de Oliveira Jaques, o enfrentamento de organizações criminosas exige articulação entre governos federal e estaduais.

Entre as áreas citadas estão o controle de fronteiras e portos, o compartilhamento de informações e a atuação coordenada das forças de segurança. A integração já é prevista pelo Sistema Único de Segurança Pública, mas pode ser reforçada por mudanças discutidas na Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, em análise no Senado.

O especialista também mencionou a possibilidade de criação de um Ministério da Segurança Pública e alertou que a cooperação entre órgãos depende de mecanismos de controle e do enfrentamento à corrupção de agentes públicos. O aumento de penas para crimes violentos pode responder a uma demanda social, mas não resolve sozinho as causas e a complexidade da criminalidade.

Outro ponto é a divisão de responsabilidades. A ampliação de vagas no sistema prisional e o aumento dos efetivos policiais dependem principalmente dos governos estaduais, enquanto a União também exerce atribuições no setor e participa da formulação de políticas e do financiamento.

Saúde mental ainda aparece de forma genérica

A saúde mental é outro tema que deve ganhar maior relevância no debate eleitoral. Bruno Ziller, gerente-executivo do Instituto Cactus, avaliou que o assunto ainda é tratado de maneira insuficiente nas campanhas.

Para o especialista, não é possível separar a saúde mental de questões como educação, segurança pública, emprego, moradia e meio ambiente. A avaliação considera que fatores sociais e econômicos influenciam diretamente o bem-estar da população e a procura por serviços públicos.

Embora o tema tenha sido incorporado ao vocabulário político, Ziller afirmou que as propostas continuam, muitas vezes, genéricas. A próxima disputa eleitoral deverá colocar em discussão o financiamento da Rede de Atenção Psicossocial, a prevenção de doenças e a ampliação do atendimento especializado.

Agronegócio enfrenta crédito, dívidas e transição energética

O agronegócio representa quase 25% do Produto Interno Bruto do país e aparece com destaque nos programas dos candidatos à Presidência. Entre as prioridades apontadas estão o crédito para a agricultura familiar e a ampliação do seguro rural.

O consultor legislativo do Senado Luiz Rodrigues explicou que produtores de commodities, como soja e milho, estão sujeitos a ciclos de preços e dependem de crédito para custeio e investimento. Oscilações no mercado de fertilizantes e combustíveis, conflitos internacionais e eventos climáticos aumentam a pressão sobre o setor.

De acordo com dados da Serasa Experian citados pela Câmara, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio cresceram 22% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. O impacto pode alcançar toda a cadeia produtiva, especialmente quando grandes empresas adiam pagamentos e comprometem fornecedores e parceiros.

Ao mesmo tempo, a transição energética abre oportunidades. A expansão do etanol de milho e do combustível sustentável de aviação pode criar novos mercados para produtores rurais, inclusive de menor porte, desde que haja crédito, infraestrutura e regras estáveis.

Metas ambientais exigem execução

Na área ambiental, o principal desafio é transformar compromissos nacionais e internacionais em medidas efetivas. Entre as metas está o fim do desmatamento ilegal até 2030.

O consultor legislativo da Câmara dos Deputados Rafael Vargas Marques afirmou que o Brasil possui uma legislação ambiental avançada, mas que a aplicação das regras ainda enfrenta dificuldades. Para ele, há contradições entre discursos públicos e resultados práticos na execução da agenda ambiental.

O especialista também citou a insegurança jurídica provocada pela judicialização de normas e a indefinição envolvendo a nova Lei do Licenciamento Ambiental, questionada no Supremo Tribunal Federal. O cenário exige clareza regulatória para reduzir conflitos e dar previsibilidade a governos, empresas e comunidades.

Outro ponto destacado é o financiamento. Recursos destinados à fiscalização ambiental e ao combate aos efeitos das mudanças climáticas, na avaliação do consultor, devem ser tratados como investimentos estratégicos, e não apenas como despesas.

Eleitores terão de comparar propostas

Os cinco temas mostram que as Eleições 2026 estarão ligadas a problemas com diferentes níveis de urgência. Segurança e saúde mental demandam respostas imediatas, enquanto educação, transição energética e proteção ambiental dependem de continuidade administrativa e planejamento.

Para o eleitor, a análise dos programas de governo será fundamental. Mais do que identificar promessas, será necessário observar metas, fontes de financiamento, prazos, responsabilidades entre União, estados e municípios e mecanismos de avaliação.

O debate eleitoral também deverá mostrar como os candidatos pretendem conciliar prioridades que se relacionam entre si. Educação, emprego, saúde mental, segurança, produção rural e meio ambiente não são áreas isoladas. As decisões tomadas em uma delas podem ampliar ou reduzir os resultados das demais.

Fonte: Agência Câmara de Notícias