O futevôlei vem ganhando espaço entre crianças e jovens no Amazonas. A modalidade, que combina fundamentos do futebol com a dinâmica dos esportes praticados na areia, deixou de ser apenas uma atividade recreativa para ocupar quadras de bairros, centros esportivos e projetos de iniciação esportiva.
Em Manaus, a expansão ocorre por meio de escolinhas públicas, iniciativas comunitárias e estruturas voltadas à formação de novos atletas. No interior, municípios também passaram a criar espaços e atividades específicas para aproximar os jovens do esporte.
O movimento acompanha uma característica histórica do estado: a presença de atletas amazonenses em competições de futevôlei e a existência de uma cultura esportiva ligada às praias, campos de areia e áreas de lazer. Com mais oportunidades de treinamento, a modalidade começa a ser apresentada às novas gerações como opção de lazer, convivência e desenvolvimento esportivo.
Projetos ampliam o acesso ao futevôlei
Uma das principais iniciativas de expansão foi o projeto Mais Futevôlei nos Bairros, anunciado pelo Governo do Amazonas em 2022. A proposta previa a implantação de escolinhas gratuitas em núcleos esportivos de Manaus, com atendimento a crianças e jovens.
O projeto foi integrado ao Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior, conhecido como Pelci, executado pela Fundação Amazonas de Alto Rendimento. A estratégia buscava utilizar campos e espaços esportivos revitalizados para oferecer atividades regulares em diferentes regiões da capital.
Entre os locais anunciados estavam o Complexo Esportivo do Passarinho, no Terra Nova 3; o Campo da Baixada Fluminense, na Cidade Nova; o Campo do CDC da Compensa; a Arena do Monte, no Monte das Oliveiras; o Centro Esportivo Municipal Hileia; o Centro de Esporte e Lazer da Compensa; o Complexo Esportivo Nelson Lacerda, no Santo Agostinho; o Campo do Florestão, no Tancredo Neves; o Campo do Curió, na Cidade Nova; e a Vila Olímpica de Manaus.
Na época do lançamento, o governo informou que a meta inicial era reunir milhares de participantes na capital e ampliar posteriormente o atendimento para outros municípios. Um relatório oficial referente às ações de 2022 registrou aproximadamente 900 alunos no projeto Mais Futevôlei nos Bairros e investimento estimado em R$ 3,3 milhões.
Os números se referem ao período informado no documento e não representam, necessariamente, o total atual de participantes. Ainda assim, mostram a dimensão que a modalidade passou a ocupar dentro da política de esporte de base do estado.
Uma modalidade adaptável às escolinhas
O futevôlei pode ser trabalhado em diferentes níveis de idade e experiência. Nas turmas infantis, o ensino costuma priorizar a familiarização com a areia, a coordenação motora, o equilíbrio e o domínio da bola. A aplicação das regras oficiais é introduzida de maneira gradual, conforme o desenvolvimento dos alunos.
Em projetos de iniciação, o objetivo não é apenas formar atletas competitivos. As atividades também procuram estimular a participação, o respeito às regras, a cooperação entre os participantes e a convivência com colegas de diferentes idades e níveis técnicos.
Por ser praticado em duplas, o esporte exige comunicação constante. Os jogadores precisam combinar movimentos, ocupar espaços e tomar decisões em poucos segundos. Para crianças e adolescentes, essa dinâmica pode transformar o treinamento em uma experiência coletiva, com desafios individuais e responsabilidades compartilhadas.
Outro fator que favorece a expansão é a possibilidade de utilizar estruturas relativamente simples. Uma quadra de areia, rede, bola e equipamentos básicos já permitem iniciar as atividades, desde que o local ofereça condições adequadas de segurança e acompanhamento profissional.
Espaços públicos aproximam o esporte dos bairros
A criação de quadras em áreas de uso comunitário tem papel importante na popularização do futevôlei. Quando os equipamentos estão próximos das residências, o deslocamento deixa de ser uma barreira para as famílias e aumenta a possibilidade de frequência regular.
Na Vila Olímpica de Manaus, por exemplo, foi anunciada uma quadra exclusiva para a modalidade, com área de areia de 512 metros quadrados. O espaço segue as medidas oficiais informadas pelo governo, com 9 metros de largura por 18 metros de comprimento e rede de 2,20 metros de altura.
A existência de quadras específicas também permite organizar festivais, torneios de base e atividades de integração. Esses eventos ajudam a apresentar o esporte a novos participantes e oferecem aos alunos uma primeira experiência competitiva sem exigir, necessariamente, a entrada imediata em campeonatos de alto rendimento.
Em bairros como Aleixo, em Manaus, espaços privados e comunitários passaram a reunir atletas experientes, iniciantes e escolinhas para crianças e adolescentes. Uma arena localizada na região mantém atividades regulares e abriga uma escolinha vinculada ao projeto Mais Futevôlei Amazonas, segundo informações divulgadas em 2025.
Interior também começa a formar novos praticantes
A expansão do futevôlei não se limita à capital. Municípios do interior passaram a criar iniciativas próprias ou a receber ações ligadas a programas estaduais de esporte.
Em Autazes, uma escolinha municipal iniciou atividades em junho de 2025 com aulas gratuitas para os públicos masculino e feminino. A programação anunciada contemplava treinos em diferentes dias e horários, com atendimento na Arena Autazes de Futevôlei.
A iniciativa foi apresentada como uma oportunidade de formação esportiva e de incentivo à adoção de hábitos saudáveis. A proposta também mostra como a modalidade pode ser incorporada à rotina dos municípios, aproveitando arenas e áreas de lazer já utilizadas pela população.
Outras cidades amazonenses também aparecem em ações de esporte de base do estado. A presença de municípios como Maués, Tabatinga, Humaitá e São Gabriel da Cachoeira em programas esportivos indica o esforço de descentralizar as oportunidades, embora a oferta possa variar conforme a estrutura, os profissionais disponíveis e a continuidade de cada projeto.
Para o interior, a criação de escolinhas representa uma alternativa para crianças e jovens que nem sempre têm acesso a clubes ou centros especializados. O esporte passa a ser oferecido no próprio município, com menor custo de deslocamento e maior participação das famílias.
Futevôlei como ferramenta de convivência
Além do aspecto técnico, os projetos de futevôlei costumam apresentar objetivos sociais. As aulas ocupam espaços públicos, aproximam moradores e criam uma rotina de convivência para os participantes.
Em comunidades onde faltam opções de lazer, uma escolinha pode funcionar como ponto de encontro para crianças e adolescentes no contraturno escolar. A atividade, porém, não substitui políticas de educação, saúde ou assistência social. Seu papel é complementar, oferecendo uma prática organizada e acompanhada por profissionais.
Experiências anteriores em Manaus já demonstravam o interesse de crianças pela modalidade. Em 2015, uma escolinha instalada no Centro Social Urbano do Parque 10 reunia alunos de diferentes faixas etárias e trabalhava fundamentos do esporte com crianças, adultos e mulheres.
Também houve projetos sociais associados a atletas amazonenses. Em 2018, o jogador Guilherme Leite Perrone, conhecido como Guigui, inaugurou uma escolinha no bairro da Glória, em Manaus, com a proposta de oferecer aulas gratuitas aos moradores.
Essas iniciativas mostram que o crescimento do futevôlei no Amazonas não começou com um único programa. A modalidade foi se desenvolvendo por meio da atuação de atletas, professores, associações, arenas privadas e órgãos públicos.
Desafios para consolidar a formação de base
O aumento do número de praticantes também traz desafios. A continuidade das escolinhas depende de profissionais capacitados, manutenção das quadras, disponibilidade de materiais e planejamento para atender diferentes faixas etárias.
Outro ponto é a necessidade de conciliar a busca por resultados com os objetivos da iniciação esportiva. Em turmas infantis, a cobrança excessiva por desempenho pode afastar alunos e transformar uma atividade de lazer em uma experiência pouco adequada à idade.
O treinamento deve respeitar o desenvolvimento físico e emocional de cada participante. A carga de exercícios, a duração das aulas e a intensidade das atividades precisam ser ajustadas às condições dos alunos, com atenção à hidratação, à exposição ao sol e à prevenção de lesões.
Nas quadras de areia, os cuidados com a segurança são especialmente importantes. O espaço deve ser vistoriado regularmente, sem objetos cortantes, buracos ou áreas que possam provocar quedas. Também é necessário orientar os participantes sobre o uso de roupas adequadas, proteção solar e pausas para descanso.
A inclusão de meninas e jovens com diferentes níveis de habilidade é outro aspecto que pode fortalecer os projetos. Turmas abertas para todos os públicos contribuem para ampliar a participação e evitar que a modalidade seja associada exclusivamente a um grupo específico.
Da recreação ao alto rendimento
O futevôlei praticado nas escolinhas pode seguir caminhos distintos. Para alguns alunos, será uma forma de lazer e atividade física. Para outros, poderá representar o início de uma trajetória competitiva.
O desenvolvimento até o alto rendimento exige etapas, acompanhamento técnico e participação em competições adequadas à idade. A base precisa ser construída com fundamentos, disciplina e regularidade, sem antecipar exigências próprias das categorias adultas.
Programas públicos como o Pelci procuram aproximar a iniciação esportiva das oportunidades de competição. A conexão entre escolinhas, treinadores e eventos pode ajudar a identificar talentos e oferecer novas experiências aos jovens atletas.
Mesmo quando não resulta em uma carreira profissional, a prática pode deixar efeitos positivos na formação dos participantes. O aluno aprende a lidar com vitórias e derrotas, desenvolve responsabilidade com a dupla e passa a reconhecer a importância da preparação para alcançar objetivos.
Perspectivas para a modalidade no Amazonas
O crescimento do futevôlei entre crianças e jovens indica que a modalidade encontrou espaço nas políticas esportivas e na rotina de comunidades amazonenses. A combinação entre futebol, areia e convivência facilita a identificação do público com o esporte.
Para manter esse avanço, será necessário garantir continuidade aos projetos, ampliar o número de núcleos e melhorar a divulgação das oportunidades disponíveis. Também será importante estabelecer informações claras sobre inscrições, faixas etárias, locais e horários das aulas.
O fortalecimento da modalidade depende ainda da integração entre governo, municípios, escolas, clubes, arenas e famílias. Quanto maior for a rede de apoio, maiores serão as possibilidades de oferecer uma formação segura e acessível.
No Amazonas, o futevôlei já aparece como uma alternativa de esporte de base em Manaus e em cidades do interior. A presença de novas escolinhas e quadras indica que a modalidade deixou de ser restrita aos atletas adultos e passou a fazer parte da infância e da juventude de diferentes comunidades.
O desafio agora é transformar o interesse inicial em uma política permanente de formação, com acesso democrático, acompanhamento adequado e espaço para que cada participante escolha seu próprio caminho: jogar por lazer, representar a escola, competir em torneios ou buscar uma carreira esportiva.


