sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Esportes

Atletas amazonenses que chegaram a competições nacionais e ganharam destaque no esporte

Conheça atletas amazonenses que ultrapassaram os limites do estado e chegaram a competições nacionais e internacionais, com destaque para Pedro Nunes, Sandro Viana, Lígia Silva, Gilmar Popoca e Maria de Fátima.

O Amazonas tem uma história marcada por atletas que conseguiram sair dos circuitos estaduais e alcançar competições nacionais em diferentes modalidades. Alguns chegaram a campeonatos brasileiros de base e adulto; outros avançaram para torneios internacionais, Jogos Pan-Americanos, Olimpíadas e Jogos Paralímpicos.

As trajetórias mostram que o esporte amazonense não se resume ao futebol. Atletismo, tênis de mesa, natação, halterofilismo, paradesporto e outras modalidades também revelaram competidores capazes de representar o estado em eventos de grande alcance.

A lista a seguir reúne alguns dos principais nomes ligados ao Amazonas e destaca resultados comprovados em competições nacionais e internacionais. Não se trata de um levantamento completo, mas de uma seleção de atletas que ajudaram a projetar o estado no cenário esportivo brasileiro.

Pedro Nunes: do lançamento de dardo ao cenário olímpico

Natural de Parintins e criado também em Manaus, Pedro Henrique Nunes Rodrigues é um dos principais nomes recentes do atletismo amazonense. Especialista no lançamento de dardo, ele começou a se destacar ainda nas categorias de base e acumulou títulos brasileiros e sul-americanos.

Em 2018, Pedro foi campeão brasileiro sub-20 no lançamento de dardo e recebeu o prêmio de melhor atleta da competição. Na ocasião, alcançou a marca de 73,02 metros e obteve índice para o Campeonato Mundial da categoria. Antes disso, já havia conquistado títulos brasileiros sub-18 e sub-23, além de resultados expressivos em torneios sul-americanos. (ge.globo.com)

O atleta também venceu o Troféu Brasil de Atletismo em 2023. Na prova realizada em Cuiabá, lançou o dardo a 82,77 metros, superou a própria marca anterior e estabeleceu recorde brasileiro da modalidade naquele momento. O resultado consolidou sua presença entre os principais atletas do país.

A evolução levou Pedro Nunes aos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Ele terminou a disputa do lançamento de dardo na 19ª colocação e não avançou à final, mas se tornou o representante amazonense em uma edição olímpica após um intervalo de 12 anos sem atletas do estado no evento. (ge.globo.com)

O caminho percorrido por Pedro resume uma das principais portas de entrada para o alto rendimento: a participação em campeonatos brasileiros de base. Esses torneios permitem que atletas de estados distantes dos grandes centros sejam observados, acumulem experiência e busquem índices para competições internacionais.

Sandro Viana e a consolidação do atletismo amazonense

Antes de Pedro Nunes, o velocista Sandro Viana já havia colocado o Amazonas entre os destaques do atletismo brasileiro. Especialista em provas de velocidade, ele disputou os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e Londres, em 2012.

Em Pequim, Sandro integrou a equipe brasileira do revezamento 4 x 100 metros. O quarteto terminou originalmente na quarta posição, mas recebeu posteriormente a medalha de bronze após a desclassificação da equipe jamaicana por causa de uma reanálise de amostras que apontou doping de um dos integrantes. A medalha foi entregue ao brasileiro anos depois, em cerimônia realizada na sede do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne, na Suíça. (ge.globo.com)

O velocista também foi bicampeão pan-americano no revezamento 4 x 100 metros, com títulos nos Jogos de Guadalajara, em 2011. Sua carreira ajudou a dar visibilidade ao atletismo do Amazonas e a estimular a formação de novos competidores.

Após as principais competições da carreira, Sandro passou a atuar na preparação de atletas e na identificação de talentos. Um dos nomes acompanhados por ele foi José Gemison, que venceu os 100 metros nos Jogos Nacionais do Sesi, no Rio de Janeiro, e também conquistou bronze no salto em distância. (ge.globo.com)

A trajetória de Sandro evidencia outro aspecto da presença amazonense no esporte nacional: atletas que alcançam alto rendimento também podem contribuir como treinadores, coordenadores e formadores de novas gerações.

Lígia Silva: o tênis de mesa do Amazonas em pódios internacionais

Lígia Silva é uma das principais referências do tênis de mesa amazonense. Radicada em Santos, no estado de São Paulo, ela construiu a carreira em centros de treinamento fora do Amazonas, mas manteve a ligação com o estado de origem.

A mesatenista disputou três edições dos Jogos Olímpicos: Pequim, em 2008; Londres, em 2012; e Rio de Janeiro, em 2016. Antes disso, já havia representado o Brasil em competições continentais e conquistado medalhas nos Jogos Pan-Americanos.

Em 1999, Lígia ganhou bronze por equipes nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá. Dezesseis anos depois, voltou ao pódio pan-americano com a seleção brasileira feminina, desta vez com a medalha de prata em Toronto, em 2015. (ge.globo.com)

O caso de Lígia também mostra que a formação de um atleta amazonense pode envolver mudanças para outros estados. A concentração de estruturas, técnicos e competições em regiões como Sudeste e Sul frequentemente faz parte do caminho de quem busca alcançar o alto rendimento.

Gilmar Popoca: do futebol de Manaus à Seleção Brasileira

No futebol, Gilmar Popoca representa uma geração de atletas amazonenses que deixaram o estado ainda jovens para atuar em clubes de maior projeção nacional. Nascido em Manaus, ele começou nas categorias de base do Rio Negro e depois foi aprovado em um teste para o Flamengo.

O meia chegou ao time profissional do clube carioca e conviveu com jogadores importantes da história do futebol brasileiro. Também passou por equipes como Botafogo, Santos, São Paulo e Ponte Preta. Sua carreira o levou à Seleção Brasileira que disputou os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.

Na competição, o Brasil conquistou a medalha de prata no futebol. A campanha marcou a primeira medalha olímpica brasileira na modalidade e colocou Gilmar Popoca entre os amazonenses que chegaram ao mais alto nível do esporte. (ge.globo.com)

Depois de encerrar a carreira como jogador, Popoca passou a trabalhar como treinador. Ele comandou categorias de base do Flamengo e, mais tarde, assumiu equipes profissionais no Amazonas. A transição demonstra como a participação em competições nacionais pode abrir novas possibilidades dentro do próprio esporte.

Maria de Fátima e a força do halterofilismo paralímpico

O halterofilismo paralímpico também passou a ocupar espaço de destaque na história esportiva do Amazonas com Maria de Fátima Costa de Castro. Natural de Tefé, no interior do estado, a atleta alcançou resultados em torneios internacionais e se tornou uma das principais representantes amazonenses no paradesporto.

Em 2023, Maria de Fátima conquistou a medalha de bronze nos Jogos Parapan-Americanos do Chile. O resultado contribuiu para sua classificação aos Jogos Paralímpicos de Paris, obtida por meio do ranking internacional após a participação na etapa de Tbilisi da Copa do Mundo de Para Powerlifting.

Nos Jogos Paralímpicos de Paris, em 2024, a amazonense conquistou a medalha de bronze na categoria até 67 quilos. O resultado foi apontado pelo Governo do Amazonas como a primeira medalha paralímpica da história do estado. (ge.globo.com)

A trajetória de Maria de Fátima evidencia a importância das competições nacionais e continentais como etapas de classificação. Antes de chegar aos Jogos Paralímpicos, a atleta precisou acumular resultados, participar de eventos internacionais e manter posição competitiva no ranking.

Outros nomes e modalidades que representam o estado

A presença amazonense em competições de alcance nacional também aparece em modalidades coletivas e individuais. Na natação, atletas nascidos no estado ou formados em clubes amazonenses construíram carreiras em campeonatos brasileiros e chegaram a seleções nacionais.

Daynara de Paula, por exemplo, nasceu no Amazonas e disputou três edições dos Jogos Olímpicos. A nadadora competiu em Pequim, Londres e Rio de Janeiro, com participações em provas individuais e revezamentos. No Rio, alcançou a 15ª colocação nos 100 metros borboleta e integrou equipes brasileiras de revezamento. (ge.globo.com)

No tênis de mesa paralímpico, Alexandre Alfon Pereira e Elem Silva conquistaram medalhas na Copa Brasil da modalidade. Em uma etapa realizada em Santos, os dois paratletas amazonenses ganharam prata em suas respectivas classes. O resultado mostra que o estado também participa do circuito nacional do esporte adaptado. (ge.globo.com)

Em categorias de base, a participação em campeonatos escolares e nacionais funciona como uma das primeiras experiências fora do estado. Delegações amazonenses já competiram em eventos estudantis e levaram representantes de modalidades como natação, atletismo e esportes coletivos para torneios realizados em outras regiões do país.

O caminho até o alto rendimento

Chegar a uma competição nacional exige mais do que talento individual. Para muitos atletas amazonenses, o percurso inclui seletivas estaduais, apoio de clubes, federações, escolas, projetos sociais e programas públicos de incentivo.

A distância entre Manaus e os principais centros esportivos do país aumenta os custos de viagens, hospedagem, alimentação e transporte de equipamentos. Por isso, o acesso a passagens e bolsas pode ser decisivo para que atletas de base disputem campeonatos brasileiros e mantenham uma rotina de preparação.

Documentos oficiais do Amazonas registram o envio de atletas para competições nacionais em diferentes modalidades e a manutenção de programas de apoio ao esporte. O governo estadual também informou a concessão de bolsas e passagens para representantes do estado em torneios dentro e fora do país. (amazonas.am.gov.br)

Mesmo assim, a formação esportiva depende de continuidade. A existência de pistas, piscinas, ginásios, centros de treinamento e equipes técnicas é fundamental para que os resultados não dependam apenas de talentos individuais.

Representatividade que vai além do resultado

Os atletas amazonenses que alcançaram competições nacionais e internacionais cumprem uma função que ultrapassa a disputa por medalhas. Eles ampliam a visibilidade do estado, inspiram jovens e mostram que modalidades pouco conhecidas também podem produzir resultados expressivos.

Pedro Nunes, Sandro Viana, Lígia Silva, Gilmar Popoca, Maria de Fátima e Daynara de Paula representam trajetórias diferentes, em épocas e esportes distintos. Alguns foram formados no Amazonas; outros precisaram buscar estrutura em outras partes do país. Em comum, todos chegaram a eventos de grande importância e levaram o nome do estado para além das fronteiras regionais.

A presença em campeonatos brasileiros é, muitas vezes, o primeiro passo para objetivos maiores. É nesses torneios que atletas acumulam experiência, enfrentam adversários de diferentes regiões e podem ser observados por clubes, treinadores e entidades nacionais. Para o esporte amazonense, cada participação representa também uma oportunidade de ampliar a base e revelar novos competidores.