sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Esportes

Mulheres amazonenses que se destacam no esporte e fizeram história pelo Amazonas

Conheça mulheres amazonenses que marcaram o esporte brasileiro com participações olímpicas, medalhas internacionais e trajetórias de pioneirismo em diferentes modalidades.

As mulheres amazonenses ocupam um espaço cada vez mais importante na história do esporte brasileiro. Em diferentes modalidades, atletas nascidas ou formadas no Amazonas alcançaram seleções nacionais, disputaram Jogos Olímpicos e Paralímpicos e conquistaram medalhas em campeonatos internacionais.

Essas trajetórias foram construídas em modalidades tradicionais, como o judô e o futebol, mas também em esportes que ainda buscam maior visibilidade no país. Ginástica rítmica, tênis de mesa, polo aquático, vôlei sentado e halterofilismo paralímpico estão entre as áreas em que representantes do estado se destacaram.

O reconhecimento nacional não elimina as dificuldades enfrentadas pelas atletas. A distância dos grandes centros esportivos, a necessidade de buscar treinamento fora do estado e a dificuldade de acesso a patrocínio fazem parte da realidade de muitas competidoras. Ainda assim, os resultados obtidos mostram a capacidade de formação e a diversidade do esporte feminino no Amazonas.

Maria de Fátima levou o Amazonas ao pódio paralímpico

Um dos capítulos mais recentes dessa história foi escrito por Maria de Fátima Castro. Natural do Amazonas, a atleta conquistou a medalha de bronze no halterofilismo dos Jogos Paralímpicos de Paris, realizados em 2024, na categoria até 67 quilos.

Maria de Fátima levantou 133 quilos na terceira tentativa e, além de garantir o terceiro lugar, estabeleceu o recorde das Américas na prova. O resultado foi considerado histórico para o estado, por representar a primeira medalha paralímpica conquistada por uma atleta amazonense no evento.

A conquista também consolidou uma trajetória internacional que já incluía pódios em campeonatos mundiais e nos Jogos Parapan-Americanos. A participação em Paris mostrou a presença do Amazonas em uma modalidade de alto rendimento que exige força, técnica, preparação física e acompanhamento especializado. (ge.globo.com)

Laiana Rodrigues é referência no vôlei sentado

Outra atleta amazonense de destaque no movimento paralímpico é Laiana Rodrigues Batista, jogadora de vôlei sentado. Nascida em Manaus, ela iniciou a trajetória no voleibol convencional, mas passou a atuar no esporte paralímpico depois de enfrentar as consequências da síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que provocou a paralisia das pernas.

Laiana conheceu o vôlei sentado aos 33 anos, cerca de 15 anos depois do início da condição que alterou sua mobilidade. A adaptação à modalidade abriu caminho para a seleção brasileira e para uma sequência de participações em grandes competições.

Com a equipe nacional, a amazonense conquistou medalhas de bronze nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, e de Tóquio, em 2021. Também ganhou prata nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, em 2015, e de Lima, em 2019.

A trajetória de Laiana representa a expansão do esporte paralímpico feminino e evidencia como a formação esportiva pode ser retomada em diferentes fases da vida. Sua presença em competições internacionais ajudou a ampliar a visibilidade do vôlei sentado e do paradesporto no Amazonas. (cpb.org.br)

Lígia Silva abriu caminho no tênis de mesa

No tênis de mesa, Lígia Santos da Silva se tornou uma das principais representantes do Amazonas em competições nacionais e internacionais. Nascida em Manaus, ela começou a praticar a modalidade ainda na adolescência, em uma estrutura esportiva da capital amazonense.

Lígia disputou os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, Atenas, em 2004, e Londres, em 2012. Sua participação em Sydney teve um significado especial: ela foi apontada como a primeira mulher brasileira a disputar o torneio individual olímpico de tênis de mesa.

A atleta também defendeu o Brasil em edições dos Jogos Pan-Americanos e acumulou títulos nacionais e continentais. O percurso de Lígia é representativo porque mostra a permanência de uma atleta amazonense no alto nível durante diferentes ciclos esportivos, em uma modalidade que exige precisão, velocidade de reação e preparação técnica.

O caminho percorrido por ela também evidencia a importância das estruturas de iniciação esportiva em Manaus. A própria atleta começou em um espaço público de treinamento e, posteriormente, precisou buscar oportunidades e equipes fora do Amazonas para dar continuidade à carreira. (olympedia.org)

Bianca Maia conquistou três ouros no Pan de Guadalajara

A ginástica rítmica teve em Bianca Maia uma de suas principais representantes amazonenses. Integrante da seleção brasileira, a ginasta participou dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em 2011.

Na competição, Bianca conquistou três medalhas de ouro com o conjunto brasileiro. As vitórias ocorreram nas provas coletivas disputadas pela equipe, que também era formada por Dayane Amaral, Drielly Daltóe, Débora Falda, Luisa Matsuo e Eliane Sampaio.

O desempenho em Guadalajara colocou a atleta no centro da atenção esportiva do estado. A conquista também teve importância simbólica por reforçar que o Amazonas poderia formar atletas competitivas em uma modalidade historicamente concentrada em outras regiões do país.

Em 2013, Bianca recebeu o título de Cidadã Benemérita do Amazonas. Antes disso, em 2011, já havia sido reconhecida pela participação no Pan-Americano e pela presença na equipe brasileira que conquistou medalha no Campeonato Mundial. (ge.globo.com)

Rita de Cássia fez história no judô

O judô feminino amazonense também alcançou um marco internacional com Rita de Cássia Reis. Em 2015, a judoca conquistou a medalha de bronze no Campeonato Mundial Sub-21, realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O resultado foi apontado como a primeira medalha conquistada por uma atleta do Amazonas em um campeonato mundial de judô. A campanha teve impacto no estado e aumentou a projeção da judoca dentro do cenário nacional.

Rita fazia parte da seleção brasileira de base e passou a mirar a integração ao grupo principal. A medalha mostrou a força do judô amazonense na formação de atletas jovens e reforçou a presença feminina em uma modalidade marcada pela exigência física e pelo confronto direto.

O judô tem papel relevante no desenvolvimento esportivo do Amazonas por contar com projetos de iniciação, clubes e centros de treinamento que atendem atletas de diferentes idades. A trajetória de Rita de Cássia se soma à de outras judocas que continuam levando o estado a pódios nacionais. (ge.globo.com)

Lucianne Barroncas representou o estado no polo aquático

Lucianne Barroncas levou o nome do Amazonas para uma modalidade pouco tradicional no estado: o polo aquático. Nascida em Manaus, ela chegou à seleção brasileira e disputou os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

A atleta terminou a competição na oitava posição com a equipe nacional. Antes de se firmar no polo aquático, passou pelo handebol e pela natação. Lesões interromperam parte desse percurso, mas a mudança de modalidade permitiu que ela retomasse a carreira esportiva em alto nível.

Lucianne também integrou a equipe brasileira que conquistou medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e participou de campanhas vitoriosas em competições sul-americanas.

Sua trajetória mostra como a versatilidade pode ser decisiva no esporte. Ao mudar de modalidade e reconstruir a carreira, a amazonense encontrou no polo aquático uma oportunidade de disputar os principais eventos do calendário internacional. (ge.globo.com)

Ketlen Vieira ganhou espaço no MMA

No MMA, a amazonense Ketlen Vieira se tornou uma das atletas do estado com maior projeção internacional. Conhecida como “Fenômeno”, ela chegou ao Ultimate Fighting Championship, uma das principais organizações do esporte no mundo.

A estreia no UFC ocorreu em 2016, com vitória sobre Kelly Faszholz. O resultado ampliou a visibilidade da lutadora, que já havia construído carreira em competições nacionais antes de ingressar no cenário internacional.

A presença de Ketlen no MMA profissional ajudou a romper a ideia de que as modalidades de combate seriam espaços exclusivamente masculinos. Sua trajetória também se conecta ao crescimento da participação feminina em esportes de luta, área em que o Amazonas possui tradição de treinamento e formação.

O avanço das mulheres no MMA ocorreu paralelamente à consolidação de outras atletas amazonenses no boxe, no judô e na luta livre. Esse conjunto de resultados contribuiu para ampliar as opções de carreira esportiva para meninas e jovens interessadas em modalidades de combate. (ge.globo.com)

Anne Kesy ampliou a presença feminina na arbitragem

A participação das mulheres amazonenses no esporte não se limita às atletas que competem. Anne Kesy Gomes de Sá tornou-se referência na arbitragem de futebol ao ser a primeira amazonense, entre homens e mulheres, a integrar o quadro de árbitros aspirantes da Fifa, em 2015.

Anne começou a se envolver com o futebol em campeonatos organizados pela família e ingressou na arbitragem ainda jovem. Em 2011, entrou para o quadro nacional da Confederação Brasileira de Futebol.

A carreira como assistente de arbitragem ampliou a presença feminina em uma área historicamente dominada por homens. Embora não atue como jogadora, sua trajetória integra a história das mulheres do Amazonas no esporte e mostra que a participação feminina também ocorre em funções técnicas e de organização.

Uma história formada por diferentes modalidades

As trajetórias de Maria de Fátima, Laiana Rodrigues, Lígia Silva, Bianca Maia, Rita de Cássia, Lucianne Barroncas, Ketlen Vieira e Anne Kesy revelam a diversidade do esporte feminino amazonense.

Algumas chegaram ao pódio olímpico ou paralímpico. Outras alcançaram títulos mundiais, seleções nacionais ou competições de grande projeção. Há ainda aquelas que abriram caminhos em funções esportivas pouco ocupadas por mulheres.

Os resultados não devem ser vistos apenas como conquistas individuais. Eles também ajudam a formar referências para novas gerações e demonstram a importância de projetos de base, centros de treinamento, clubes, federações e políticas de apoio ao esporte.

Ao longo das últimas décadas, as mulheres amazonenses ampliaram a presença do estado em arenas nacionais e internacionais. A história ainda está em construção, mas os nomes que já chegaram ao alto rendimento mostram que o Amazonas tem atletas capazes de competir em diferentes níveis e modalidades.