quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Biografias

Segurança em áreas de conflito marca atuação de Paula Litaiff no jornalismo amazônico

Fundadora da Rede Cenarium e diretora-geral da Revista Cenarium, Paula Litaiff construiu uma carreira ligada à cobertura política, à investigação jornalística e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. Em 2025, participou de debate da Abraji sobre proteção de jornalistas e fontes em territórios de conflito.
Paula-entrega-premio-1536×1023-1-1

A experiência em coberturas realizadas em áreas de conflito passou a integrar a atuação de Paula Litaiff na comunicação amazônica. Jornalista, mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ela participou, em julho de 2025, do 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo. O debate tratou da segurança de jornalistas e fontes na Amazônia.

Na ocasião, Paula apresentou experiências e protocolos adotados pela Rede Cenarium em trabalhos desenvolvidos em territórios de conflito. Também abordou a necessidade de avaliar os riscos antes do trabalho de campo e de levar em conta a experiência dos profissionais enviados a locais sensíveis.

A discussão sintetiza uma das dimensões de sua trajetória: a combinação entre a prática de reportagem, a interpretação de acontecimentos políticos, a gestão de equipes e a preocupação com as condições necessárias para a apuração jornalística.

Da reportagem à direção editorial

Natural de Manaus, Paula Litaiff é fundadora da Rede Cenarium e diretora-geral da Revista Cenarium. Seus perfis institucionais registram cerca de duas décadas de experiência em Comunicação Social, período em que passou por redações, emissoras, veículos nacionais e projetos próprios de comunicação.

A carreira começou nos jornais Diário do Amazonas, A Crítica e Amazonas Em Tempo. Como repórter, trabalhou nas editorias de Polícia, Cidades e Política. A experiência envolveu o acompanhamento de acontecimentos da vida urbana, ocorrências ligadas à segurança pública e temas relacionados ao poder político no Amazonas.

Ao longo do percurso profissional, sua atuação também alcançou o rádio e a televisão. Paula foi comentarista na TV NC News, na Rádio BandNews e na TV Onda Digital. O currículo registra ainda colaborações com O Globo, Estadão e UOL, ampliando a circulação de seu trabalho para além da cobertura regional.

Essa passagem por diferentes formatos e veículos antecedeu a atuação na gestão editorial. À frente da Rede Cenarium, Paula passou a responder não apenas pela produção jornalística individual, mas também pela organização de equipes, pela condução de projetos e pela direção de uma estrutura de comunicação sediada na Amazônia.

Uma rede voltada à cobertura da região

A Rede Cenarium reúne revista eletrônica, revista impressa, agência de notícias e TV web. O projeto conta com profissionais em diferentes cidades da Amazônia brasileira e mantém uma cobertura dedicada a assuntos socioambientais, povos tradicionais, direitos humanos, reportagens investigativas e jornalismo de dados.

Os temas tratados pela rede se relacionam a debates sobre o território amazônico e sobre decisões políticas e econômicas que afetam suas populações. A estrutura editorial também se insere na conexão entre a realidade regional e o público de outras partes do país.

A direção de um veículo com diferentes plataformas acrescentou à trajetória de Paula responsabilidades ligadas ao planejamento, à coordenação de profissionais e à definição de prioridades editoriais. Nesse contexto, a segurança de repórteres e fontes aparece como parte dos procedimentos necessários para a cobertura de territórios sensíveis.

No congresso da Abraji, em 2025, a jornalista destacou a importância de fazer uma avaliação prévia dos riscos e de considerar a experiência dos profissionais escalados para o trabalho de campo. A abordagem também incluiu a proteção das pessoas entrevistadas, além das equipes responsáveis pela apuração.

Participação em documentário sobre o Amazonas

Entre os trabalhos de maior circulação de sua trajetória está a participação na série documental “Bandidos na TV”, conhecida em inglês como “Killer Ratings” e disponibilizada pela Netflix. A produção aborda o caso Wallace Souza, no Amazonas.

Paula participou como uma das profissionais que narraram os acontecimentos à equipe do documentário. Sua contribuição esteve relacionada à experiência acumulada na cobertura jornalística do caso, que marcou o noticiário amazonense e alcançou público internacional por meio da produção audiovisual.

A participação na série integra uma carreira que combina a apuração realizada em redações locais com a colaboração para veículos de alcance nacional. Também evidencia o trânsito da jornalista entre diferentes linguagens, como reportagem, comentário, entrevista e produção audiovisual.

Formação acadêmica e pesquisa sobre mulheres indígenas

A formação de Paula Litaiff inclui graduação em Jornalismo e especialização em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos. O perfil publicado pela Abraji registra também especialização em Ciências Políticas.

Essas áreas de formação estão relacionadas ao estudo das instituições, das desigualdades e das relações entre sociedade e poder. A trajetória acadêmica se aprofundou com o mestrado em Sociedade e Cultura da Amazônia, concluído na Ufam.

Sua pesquisa de mestrado teve como tema a resistência de mulheres indígenas Kokama, com atenção às lideranças femininas do Parque das Tribos, em Manaus. O trabalho voltou-se à presença e à atuação dessas mulheres em um contexto específico da cidade.

Em junho de 2025, foi noticiada pela Ufam a divulgação de um vídeo documental relacionado à dissertação. A produção aproximou a pesquisa universitária da linguagem audiovisual e ampliou as formas de apresentação do conteúdo desenvolvido no mestrado.

A relação com a produção de conhecimento também aparece na participação como coorganizadora da obra “Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia”, conforme registros divulgados pela Abraji e pelo Festival 3i. O livro acrescenta à sua atuação uma frente dedicada à elaboração e à circulação de reflexões sobre questões sociais amazônicas.

Textos sobre política, ambiente e informação

Como autora, Paula mantém produção de entrevistas e editoriais sobre política, democracia, representatividade, questões ambientais e desinformação. Seus textos abordam temas como a emergência climática, a participação indígena na política, as desigualdades de gênero e os efeitos da inteligência artificial sobre a informação e o debate eleitoral.

Os assuntos presentes nessa produção se relacionam tanto à cobertura jornalística quanto à pesquisa e à direção editorial. A política aparece associada às instituições e à representação; as questões ambientais, às transformações do território amazônico; e a desinformação, aos desafios enfrentados pelo jornalismo e pelo debate público.

Essa diversidade temática acompanha a passagem por diferentes funções na comunicação. A repórter concentra-se na apuração dos fatos; a comentarista e a editorialista desenvolvem interpretação; a pesquisadora organiza conhecimento; e a gestora conduz equipes e projetos editoriais.

Reconhecimento e participação profissional

Em 2025, Paula Litaiff foi indicada ao prêmio 100+ Admirados Jornalistas Brasileiros, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo informativo Jornalistas&Cia. A indicação integrou o processo de votação da premiação e registrou sua presença entre os profissionais considerados na iniciativa.

No mesmo ano, sua participação no congresso da Abraji colocou em debate a segurança de jornalistas e fontes em coberturas realizadas na Amazônia. A discussão tratou de protocolos, avaliação de risco e experiência profissional em áreas de conflito.

A atuação em encontros dedicados ao jornalismo complementa o trabalho desenvolvido na Rede Cenarium. Além de produzir e dirigir conteúdo, Paula participa de discussões sobre os métodos e as condições em que a atividade jornalística é realizada na região.

Uma trajetória com a Amazônia como eixo

A carreira de Paula Litaiff reúne experiências em jornais impressos, rádio, televisão, veículos nacionais, produção audiovisual, gestão de comunicação e pesquisa acadêmica. O percurso começou nas redações e avançou para a direção de uma rede jornalística com diferentes plataformas.

O trabalho também se conecta a temas sociais e políticos da Amazônia. A cobertura de segurança pública e política, a participação no documentário sobre o caso Wallace Souza, a pesquisa sobre mulheres indígenas Kokama e a atuação em debates sobre proteção de jornalistas formam partes distintas de uma mesma trajetória profissional.

Com a região amazônica como referência recorrente, sua biografia combina reportagem, análise, pesquisa e gestão editorial. A experiência acumulada em diferentes áreas da comunicação sustenta a atuação na Rede Cenarium e a participação em iniciativas voltadas à cobertura jornalística e à produção de conhecimento sobre a Amazônia.

Ver esta publicação no Instagram