domingo, 1 de novembro de 2026
Cidades

Terceiro exame durante a gestação é incluído na rotina contra a sífilis em Manaus

Orientação emitida em março pela rede municipal prevê testagens no primeiro, segundo e último trimestres; dados de 2026 apontam médias mensais de 208 casos em gestantes e 33 registros congênitos.
Terceiro exame durante a gestação é incluído na rotina contra a sífilis em Manaus
Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus

A rede municipal de saúde de Manaus passou a orientar a realização de três testes para sífilis durante a gravidez. A recomendação, emitida em março de 2026 pelo Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical, acrescenta uma avaliação no segundo trimestre aos exames já previstos para o início e o fim da gestação.

A medida integra as ações do Outubro Verde, campanha realizada pela Prefeitura de Manaus por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O objetivo informado pela secretaria é ampliar a identificação de infecções e reduzir a transmissão da bactéria da gestante para o bebê, chamada de transmissão vertical.

Testagem em três etapas

Segundo a Semsa, o exame adicional pode ajudar a detectar infecções recentes, reinfecções ou situações em que o primeiro teste foi feito durante a chamada janela imunológica. Nesse período, a exposição à bactéria pode ter ocorrido recentemente e ainda não ser identificada pelo exame.

O Ministério da Saúde recomenda testes no primeiro e no último trimestre. Com a orientação municipal, a rede de Manaus também passou a incluir o segundo trimestre no acompanhamento das gestantes.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão para a criança pode ocorrer durante o parto, mas principalmente enquanto o bebê ainda está no útero. De acordo com a Semsa, o tratamento imediato e sem interrupções reduz os riscos para a gestante e o bebê.

Notificações em 2026

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, citados pela secretaria, indicam média de 208 notificações mensais de sífilis em gestantes em 2026. Em 2025, a média informada era de 198 casos por mês, o que representa aumento de 5,1%.

Nos registros de sífilis congênita, quando a criança é afetada pela infecção, a média mensal passou de 24 casos em 2025 para 33 em 2026. O crescimento informado foi de 37,5%.

A Semsa afirma que, no primeiro ano de infecção, a possibilidade de transmissão para a criança pode chegar a 80%, conforme declaração de Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e Hepatites Virais. Ela também informou que o tratamento adequado pode evitar a transmissão, desde que seja iniciado no tempo necessário.

Tratamento e acompanhamento

Na maioria dos casos em adultos, o tratamento exige três doses de penicilina, com intervalo de sete dias entre as aplicações. Conforme a Semsa, parte dos pacientes interrompe o tratamento depois da primeira dose, quando os sintomas podem desaparecer. Se o intervalo entre as aplicações ultrapassar de sete a nove dias, o tratamento precisa ser reiniciado, segundo a orientação apresentada pela secretaria.

A pasta informou que realiza busca ativa e ações de sensibilização para tentar garantir a continuidade do tratamento. Também recomenda o uso de preservativos e a testagem anual para infecções sexualmente transmissíveis entre pessoas com vida sexual ativa.

O teste rápido para sífilis está disponível nas unidades da rede municipal. O procedimento utiliza uma gota de sangue e, segundo a Semsa, o resultado sai em aproximadamente 30 minutos. Para mulheres que pretendem engravidar ou já estão grávidas, a orientação é procurar o pré-natal e fazer a testagem o mais cedo possível.

Riscos da infecção

A sífilis pode apresentar feridas na boca ou nos órgãos genitais e manchas na pele, dependendo da fase. A ausência ou o desaparecimento dos sintomas não significa que a infecção tenha sido curada. Sem tratamento, a bactéria pode permanecer no organismo e afetar a visão, a audição, outros órgãos e o sistema neurológico.

Durante a gestação, a infecção também pode provocar aborto e complicações para o bebê, como infecções sistêmicas, alterações nos ossos, subdesenvolvimento neuromotor, surdez e cegueira, conforme as informações divulgadas pela Semsa.

Fonte: Prefeitura de Manaus.

Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus