sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Esportes

Atletas amazonenses que levaram o nome do Amazonas ao Brasil e ao mundo

Conheça atletas amazonenses que representaram o Brasil em Jogos Olímpicos, Paralímpicos e competições internacionais, com destaque para Gilmar Popoca, Sandro Viana, Lígia Silva, Pedro Nunes e Maria de Fátima.

O Amazonas tem uma história de participação no esporte brasileiro que vai muito além das competições regionais. Ao longo das décadas, atletas amazonenses chegaram a Jogos Olímpicos, Paralimpíadas, campeonatos mundiais e torneios continentais, levando o nome do Estado para as principais arenas esportivas do país e do exterior.

Essa trajetória reúne personagens de diferentes gerações e modalidades. Há medalhistas olímpicos, atletas que defenderam a Seleção Brasileira, representantes do esporte paralímpico e jovens que começam a se destacar em disputas nacionais e internacionais.

Entre os principais nomes estão Gilmar Popoca, Sandro Viana, Lígia Silva, Daynara de Paula, Lucianne Barroncas, Pedro Nunes e Maria de Fátima. Juntos, eles ajudam a contar a evolução do esporte amazonense e mostram que a distância dos grandes centros não impediu o surgimento de talentos de alto rendimento.

Gilmar Popoca foi o primeiro amazonense medalhista olímpico

O futebol foi responsável pela primeira medalha olímpica conquistada por um atleta do Amazonas. Em Los Angeles, em 1984, o manauara Gilmar Popoca integrou a Seleção Brasileira que terminou com a medalha de prata. O Brasil perdeu a final para a França por 2 a 0.

Naquela campanha, Gilmar tinha 20 anos, vestia a camisa 10 e atuava pelo Flamengo. O amazonense foi apontado como o melhor jogador do torneio pelo Comitê Olímpico Internacional e terminou a competição como artilheiro, com cinco gols. O desempenho transformou o jogador em um dos principais nomes da delegação brasileira naquela edição dos Jogos.

A prata de Gilmar Popoca abriu a lista de medalhas olímpicas do Amazonas. O Estado só voltou ao pódio 24 anos depois, em Pequim, com o velocista Sandro Viana. (ge.globo.com)

Primeiros representantes abriram caminho nas Olimpíadas

A presença amazonense nos Jogos Olímpicos começou antes da medalha de Gilmar. O primeiro atleta do Estado a disputar uma Olimpíada foi Douglas Arnaud, integrante da equipe brasileira de polo aquático em Helsinque, na Finlândia, em 1952. Natural de Manaus, ele tinha 20 anos e participou da campanha que terminou na 13ª colocação.

Douglas também construiu marcas importantes na natação e chegou a deter o recorde sul-americano do revezamento 4 x 200 metros livre. Sua participação marcou o início da presença do Amazonas no maior evento esportivo do planeta.

Depois dele, o Estado foi representado por atletas como Lyndon Johnson, no atletismo, e Eduardo Piccinini, na natação. Nascido em Coari, Lyndon competiu nos 110 metros com barreiras nos Jogos de Seul, em 1988, e chegou à semifinal antes de abandonar a prova por causa de uma lesão.

Eduardo Piccinini disputou os Jogos de Barcelona, em 1992. Na natação, competiu nos 100 e nos 200 metros borboleta. Na segunda prova, chegou à final e terminou na 15ª posição. Antes e depois da Olimpíada, também conquistou medalhas em Jogos Pan-Americanos e participou de revezamentos que estabeleceram marcas relevantes para a natação brasileira. (ge.globo.com)

Lígia Silva se tornou referência no tênis de mesa

Entre as atletas amazonenses que mais tempo permaneceram no alto rendimento está Lígia Silva. A mesatenista disputou três edições dos Jogos Olímpicos: Sydney, em 2000; Atenas, em 2004; e Londres, em 2012.

Na primeira participação, terminou na 49ª posição na competição individual. Em Atenas, alcançou a 25ª colocação nas duplas. O melhor resultado olímpico veio em Londres, quando ajudou o Brasil a terminar em nono lugar na disputa por equipes.

A trajetória de Lígia é considerada uma das mais consistentes entre os representantes do Amazonas nos Jogos. Ao lado da nadadora Daynara de Paula, ela está entre as atletas do Estado com três participações olímpicas.

Daynara nasceu no Amazonas e mudou-se ainda bebê para o interior de São Paulo, onde começou a carreira na natação. A atleta disputou os Jogos de Pequim, em 2008, Londres, em 2012, e Rio de Janeiro, em 2016. Na edição realizada no Brasil, alcançou o 15º lugar nos 100 metros borboleta, além de participar de provas de revezamento. (ge.globo.com)

Sandro Viana conquistou a segunda medalha olímpica do Estado

O velocista Sandro Viana foi o responsável pela segunda medalha olímpica do Amazonas. Ele integrou o revezamento brasileiro 4 x 100 metros que terminou originalmente na quarta colocação nos Jogos de Pequim, em 2008.

A medalha de bronze foi reconhecida posteriormente, depois que a equipe jamaicana, vencedora da prova, perdeu o título e o ouro em razão de uma punição por doping aplicada a um dos integrantes do time. Em 2019, o Comitê Olímpico Internacional oficializou a mudança no resultado e entregou o bronze a Sandro Viana e aos companheiros brasileiros.

O amazonense também teve destaque nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, quando conquistou o ouro no revezamento 4 x 100 metros. Ele voltou a disputar uma Olimpíada em Londres, em 2012, consolidando-se como um dos principais nomes da história do atletismo do Estado.

Com a prata de Gilmar Popoca e o bronze de Sandro Viana, o Amazonas soma duas medalhas olímpicas entre atletas nascidos no Estado, de acordo com levantamento baseado nos resultados históricos dos Jogos. (ge.globo.com)

O polo aquático também revelou representantes da Seleção

O polo aquático aparece em diferentes momentos da história olímpica amazonense. Além de Douglas Arnaud, que participou dos Jogos de Helsinque, Lucianne Barroncas representou o Brasil na edição do Rio de Janeiro, em 2016.

Lucianne começou no handebol e passou pela natação antes de se dedicar ao polo aquático. A atleta integrou a equipe brasileira que terminou na oitava colocação no torneio olímpico do Rio. Também conquistou medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e títulos sul-americanos.

A história de Lucianne mostra como atletas formados no Amazonas muitas vezes precisam buscar centros esportivos de outras regiões para dar continuidade à carreira. Mesmo quando passam a treinar ou competir por clubes de outros Estados, continuam associados à origem amazonense e à representação do esporte regional.

Pedro Nunes marcou o retorno do Amazonas aos Jogos Olímpicos

Depois de oito anos sem representantes em uma edição olímpica, o Amazonas voltou aos Jogos em Paris, em 2024, com Pedro Nunes, do lançamento de dardo.

Natural de Manaus e criado em Parintins, Pedro alcançou uma das principais marcas da carreira no Campeonato Ibero-Americano de Atletismo, em maio daquele ano. O lançamento de 85,11 metros estabeleceu recordes brasileiro e sul-americano, além de colocá-lo entre os melhores atletas do mundo na temporada.

Em Paris, o amazonense registrou 79,46 metros como melhor marca e terminou a classificação na 19ª posição. O resultado ficou abaixo da expectativa criada antes dos Jogos, mas a participação teve importância histórica por recolocar o Estado no programa olímpico.

A trajetória de Pedro também evidenciou o potencial do atletismo amazonense. Antes da Olimpíada, o atleta havia passado por competições nacionais e internacionais e consolidado seu nome entre os principais lançadores de dardo do país. (ge.globo.com)

Maria de Fátima conquistou bronze nas Paralimpíadas de Paris

O principal resultado do Amazonas em Paris, em 2024, veio das Paralimpíadas. A halterofilista Maria de Fátima conquistou a medalha de bronze na categoria até 67 quilos e estabeleceu um recorde das Américas.

A atleta levantou 133 quilos em sua terceira tentativa. Com a marca, garantiu o terceiro lugar e superou o recorde continental anterior, que era de 132 quilos. O pódio colocou Maria de Fátima entre os principais nomes do halterofilismo paralímpico brasileiro.

O Amazonas também teve outros representantes nos Jogos Paralímpicos de Paris. Laiana Rodrigues disputou o vôlei sentado pela terceira vez consecutiva. Ela já havia conquistado medalhas de bronze com a Seleção Brasileira na Rio 2016 e em Tóquio 2020.

O judoca Elielton Lira participou de sua primeira Paralimpíada e terminou na quinta colocação na categoria J1 até 60 quilos. Após perder na estreia, venceu duas lutas na repescagem e chegou à disputa pelo bronze.

Os resultados ampliaram a presença do Estado no esporte paralímpico e reforçaram a importância de modalidades que oferecem caminhos de alto rendimento para atletas de diferentes regiões do país. (ge.globo.com)

Novas gerações mantêm o Amazonas no cenário nacional

Além dos atletas que já chegaram aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Amazonas tem revelado nomes que buscam espaço no ciclo esportivo iniciado após Paris 2024.

Entre os destaques está Clarice Ribeiro, do judô. A atleta conquistou dois títulos mundiais na categoria sub-18 e também ganhou uma medalha de bronze no Mundial sub-21. Os resultados fizeram dela uma das promessas do Estado para o próximo ciclo olímpico.

No atletismo, Benjamin Oliveira venceu o Campeonato Brasileiro sub-18 no salto triplo, com a marca de 15,51 metros. O resultado levou à convocação para o Campeonato Sul-Americano da categoria, sua primeira competição internacional pela Seleção Brasileira.

Na natação, as atletas Adrielle Marcela e Pietra Menezes também apareceram entre os nomes de destaque nas categorias de base. A presença desses jovens atletas indica que o esporte amazonense continua produzindo talentos, embora muitos ainda dependam de estrutura, viagens, equipamentos e apoio financeiro para avançar ao alto rendimento.

Em 2026, o wrestler Lavozier Marubo, de Atalaia do Norte, ganhou projeção ao ser escolhido como porta-bandeira do Brasil nos Jogos Pan-Americanos do Panamá. Indígena da etnia Marubo, ele conquistou a medalha de prata no Pan-Americano sub-17 de 2025 e passou a simbolizar a diversidade regional e cultural do esporte brasileiro. (ge.globo.com)

Uma história marcada por talento e desafios

A presença de atletas amazonenses em competições nacionais e internacionais revela uma trajetória construída em diferentes modalidades e períodos históricos. Do polo aquático de Douglas Arnaud ao lançamento de dardo de Pedro Nunes, passando pelo futebol de Gilmar Popoca, pelo atletismo de Sandro Viana e pelo esporte paralímpico de Maria de Fátima, o Estado acumulou participações relevantes em eventos de grande alcance.

Os resultados também mostram que representar o Amazonas no Brasil não significa apenas conquistar medalhas. A participação em uma Olimpíada, em uma Paralimpíada ou em uma competição internacional amplia a visibilidade do Estado e cria referências para crianças e jovens que iniciam a prática esportiva.

Com novos nomes surgindo no judô, no atletismo, na natação e no wrestling, o Amazonas segue tentando transformar talento em continuidade. A próxima etapa dessa história dependerá da capacidade de manter os atletas em treinamento, garantir acesso a competições e oferecer condições para que eles possam disputar espaço entre os melhores do país.