Amaturá, no oeste do Amazonas, combina um território de 4.658,391 km² com uma população residente de 10.819 habitantes, conforme o Censo de 2022. A baixa densidade demográfica, de 2,28 habitantes por quilômetro quadrado, ajuda a dimensionar a distribuição da população entre a sede urbana e as comunidades rurais e ribeirinhas.
Integrado à Região Geográfica Imediata de Tabatinga e à Região Geográfica Intermediária de Tefé, o município faz divisa com Jutaí, São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá. Segundo a Amazonastur, Amaturá está a aproximadamente 907 quilômetros de Manaus, em uma área cuja vida comunitária mantém forte relação com os rios e com o interior.
Território e indicadores municipais
Os dados disponíveis no painel Cidades e Estados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentam diferentes dimensões da realidade local. A população estimada para 2026 é de 11.633 habitantes, número 814 pessoas superior ao registrado no Censo de 2022. A comparação envolve, porém, uma estimativa e uma contagem censitária.
O mesmo painel informa escolarização de 6 a 14 anos de 98,91%, indicador relacionado à matrícula nessa faixa etária. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,560, com referência em 2010. Já a mortalidade infantil aparece em 18,66 óbitos por mil nascidos vivos, com dado de 2025.
Na dimensão econômica, o PIB por habitante foi registrado em R$ 12.453,24 em 2023. O valor representa uma média da produção econômica por pessoa e não corresponde à renda individual dos moradores. Em 2025, as receitas brutas realizadas somaram R$ 117.938.951,96, enquanto as despesas brutas empenhadas chegaram a R$ 101.910.178,46.
Uma formação marcada por missões e desmembramentos
A história de Amaturá está relacionada à formação de São Paulo de Olivença e às antigas missões religiosas instaladas na região do Alto Solimões. De acordo com a Prefeitura de Amaturá, a trajetória remonta à missão de São Paulo Apóstolo, estabelecida por jesuítas no final do século XVII em uma área já habitada por povos indígenas e posteriormente disputada por portugueses e espanhóis.
A antiga missão passou a ser conhecida como aldeia de São Paulo dos Cambebas e, mais tarde, tornou-se sede de São Paulo de Olivença. Com os sucessivos desmembramentos territoriais, novos municípios foram formados no interior amazonense. Amaturá conquistou a emancipação em 1981.
O próprio nome do município é associado à cultura indígena. Segundo a explicação registrada pela prefeitura e baseada em relatos de historiadores locais, a denominação estaria ligada ao aturá, um cesto utilizado para transportar materiais, especialmente entre povos Cocama e Cambeba. A pronúncia teria se modificado até chegar à forma atual. A versão é atribuída ao relato do frei Henrique Sampalmiere, no livro Os Segredos da Selva.
Agricultura, pesca e apoio à produção
A economia municipal reúne serviços, agricultura e pesca. Estudo disponibilizado pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), publicado em 2025 e baseado em referências anteriores, aponta a relevância do setor terciário e cita a produção de mandioca, banana, milho e a pesca de pirarucu entre as atividades locais.
A mandioca aparece tanto como produto agrícola quanto como matéria-prima para o beneficiamento. Em 2023, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) registrou demandas de produtores por capacitação na fabricação de farinha e de derivados da mandioca, além de treinamento para o manejo da castanha-do-brasil.
Na mesma reunião, produtores solicitaram pós-larvas de tambaqui para apoiar a piscicultura municipal. Outro registro do Idam, também de 2023, informou investimentos de R$ 251 mil para agricultores e pescadores de Amaturá por meio da Agência de Fomento do Amazonas.
Os financiamentos incluíam capital de giro e equipamentos para a pesca artesanal e o cultivo de mandioca. Entre os itens mencionados estavam embarcações, motores, refrigeradores e roçadeiras. As iniciativas indicam a presença de demandas relacionadas à assistência técnica, à conservação do pescado, ao processamento de alimentos e à estrutura necessária para a produção comunitária.
Patrimônio, religiosidade e visitação
Entre as referências históricas de Amaturá está o Colégio São Cristóvão, associado à antiga atividade de formação seminarística. A Praça São Cristóvão é destacada pela Amazonastur como espaço de passeio e contemplação da paisagem, especialmente durante o pôr do sol.
O órgão estadual de turismo também menciona hospedagens e restaurantes de estrutura simples, com pratos típicos do Alto Solimões. A oferta integra um cenário de visitação ligado ao patrimônio construído, à paisagem e às tradições comunitárias.
A religiosidade ocupa espaço importante na vida municipal. Os festejos de São Cristóvão, apresentados pela prefeitura como uma tradição local, reúnem celebração religiosa, participação das famílias e movimentação econômica. A organização envolve a Paróquia São Cristóvão, com apoio do município na estrutura do evento.
O calendário oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas registra 25 de julho como Dia do Padroeiro São Cristóvão e 30 de março como data de elevação de Amaturá à categoria de cidade. As duas datas remetem a aspectos distintos da memória local: a tradição religiosa e a trajetória administrativa.
Identidade formada entre rio, produção e memória
A configuração atual de Amaturá resulta da combinação entre território extenso, população distribuída em comunidades, atividades produtivas ligadas ao campo e à pesca e uma história associada aos povos indígenas e às missões religiosas.
O nome de origem indígena, o patrimônio histórico, os festejos religiosos e o trabalho de agricultores e pescadores compõem referências que ajudam a compreender a identidade do município no Alto Solimões. Esses elementos também aparecem nas iniciativas de produção, no turismo e na organização da vida comunitária.