sábado, 31 de outubro de 2026
Esportes

Estádios históricos que ajudaram a construir o futebol amazonense

Parque Amazonense, Estádio Ismael Benigno e Vivaldo Lima estão entre os principais estádios da história do futebol amazonense. Cada um representa uma fase da expansão do esporte em Manaus, dos primeiros campeonatos às grandes partidas nacionais e internacionais.

A história do futebol amazonense também pode ser contada por meio de seus estádios. Em Manaus, campos como o Parque Amazonense, o Estádio Ismael Benigno e o Estádio Vivaldo Lima foram mais do que locais de partidas: funcionaram como pontos de encontro, espaços de convivência e símbolos de diferentes períodos do esporte no Estado.

Essas praças receberam campeonatos estaduais, clássicos entre os principais clubes locais, amistosos com grandes equipes brasileiras e jogos que ajudaram a formar a memória de várias gerações de torcedores. Algumas estruturas desapareceram; outras foram reconstruídas ou substituídas, mas continuam presentes no imaginário do futebol do Amazonas.

Parque Amazonense foi um dos primeiros grandes palcos

O Parque Amazonense é frequentemente apontado como um dos primeiros estádios de grande importância na história do futebol amazonense. O espaço ficava na antiga Vila Municipal, área correspondente atualmente ao bairro Adrianópolis, em Manaus. A entrada principal era localizada na Rua Belém.

Antes de se tornar uma referência para o futebol, o local foi utilizado como hipódromo. A estrutura surgiu no início do século 20 e também recebeu corridas de cavalos, uma atividade bastante popular entre as famílias manauaras daquele período. A combinação entre o turfe e o futebol fez do Parque Amazonense um dos principais centros esportivos da cidade.

O estádio passou a ter papel mais destacado no futebol a partir de 1918, quando começou a receber partidas organizadas e confrontos de maior relevância. Naquele período, o esporte ainda se consolidava na capital amazonense, e os campeonatos eram disputados em campos que nem sempre ofereciam estrutura permanente ou condições adequadas durante todo o ano.

Com arquibancadas e espaço para grandes públicos, o Parque Amazonense passou a sediar jogos entre clubes tradicionais, como Nacional, Rio Negro, Fast Clube, Américo, Rodoviário, Auto Sport e Olímpico Clube. A rivalidade entre essas equipes ajudou a transformar o estádio em um dos principais endereços do futebol local.

O campo também foi importante para a realização de partidas contra equipes de outros Estados. Registros históricos citados pelo levantamento sobre os antigos estádios do futebol amazonense apontam que o local recebeu, em 1918, uma partida envolvendo um combinado cearense. O jogo é lembrado como um dos primeiros eventos de maior projeção realizados no estádio.

Durante décadas, o Parque Amazonense foi associado aos grandes jogos do Campeonato Amazonense. O espaço, no entanto, perdeu importância com o crescimento da cidade, o surgimento de novas estruturas e a necessidade de estádios maiores. O estádio deixou de existir na segunda metade do século 20, e a área passou por transformações urbanas.

A demolição encerrou a trajetória física do Parque Amazonense, mas não apagou seu significado. Para torcedores e pesquisadores, o antigo estádio representa o período em que o futebol começou a ganhar organização, público e presença permanente na vida social de Manaus.

Estádio da Colina se tornou símbolo do São Raimundo

Outro endereço fundamental para o futebol amazonense é o Estádio Ismael Benigno, conhecido popularmente como Estádio da Colina. A praça esportiva fica no bairro São Raimundo e está ligada diretamente à história do São Raimundo Esporte Clube.

O estádio nasceu a partir do crescimento do clube e da necessidade de o São Raimundo contar com um campo próprio. Localizado em uma área elevada, o espaço passou a ser chamado de Colina, nome que se consolidou entre torcedores e moradores da região.

Durante parte das décadas de 1960 e 1970, a Colina ganhou importância nacional e estadual. Com a perda de espaço do Parque Amazonense, o estádio passou a receber os principais clássicos de Manaus, sobretudo os confrontos entre Nacional e Rio Negro, dois dos clubes mais tradicionais do futebol do Amazonas.

Os clássicos disputados na Colina atraíam públicos expressivos. A estrutura original era menor e mais simples do que a dos grandes estádios brasileiros, mas a proximidade entre arquibancadas, campo e torcedores ajudava a criar um ambiente de forte pressão durante as partidas.

A Colina também recebeu apresentações de grandes nomes do futebol brasileiro. Pelé e Garrincha estão entre os jogadores que passaram pelo estádio em partidas e eventos realizados em Manaus. A presença desses atletas ajudou a consolidar a praça como um dos locais mais lembrados da história esportiva amazonense.

O Estádio Ismael Benigno recebeu esse nome em homenagem a Ismael Benigno, dirigente e benfeitor ligado ao São Raimundo. A mudança reforçou a relação entre o estádio, o clube e a comunidade do bairro, embora o apelido Colina continue sendo a forma mais conhecida de identificação do local.

Com o passar do tempo, a estrutura original enfrentou problemas de conservação. Arquibancadas, iluminação, gramado e áreas de circulação precisaram de intervenções. A situação se agravou antes da preparação de Manaus para a Copa do Mundo de 2014, quando o estádio foi escolhido para funcionar como Centro Oficial de Treinamento.

A antiga estrutura foi substituída por um novo projeto no mesmo terreno. O estádio reformado foi reinaugurado em 3 de julho de 2014, com uma partida entre São Raimundo e Sul América. Dados publicados pelo portal da Prefeitura de Manaus registram que a nova instalação foi construída dentro das normas utilizadas para as arenas do Mundial.

O processo alterou a aparência do estádio, mas preservou a localização e o vínculo simbólico com o São Raimundo. A Colina segue sendo uma referência para o futebol de Manaus e uma das principais praças de menor porte utilizadas em competições estaduais.

Vivaldão ampliou a escala do futebol amazonense

O Estádio Vivaldo Lima representou uma nova etapa do futebol do Amazonas. Inaugurado em 5 de abril de 1970, o estádio foi construído na Avenida Constantino Nery, em uma área que atualmente abriga a Arena da Amazônia.

O nome homenageava Vivaldo Palma Lima, médico, advogado e dirigente ligado ao esporte amazonense. O estádio ficou conhecido por diferentes apelidos, entre eles Vivaldão, Colosso do Norte e Tartarugão, em referência ao formato de sua cobertura e à importância que alcançou no cenário regional.

A inauguração contou com partidas entre seleções do Amazonas e equipes representativas do Brasil. A abertura oficial marcou a entrada do futebol amazonense em uma fase de maior profissionalização e de integração com o calendário nacional.

O Vivaldão foi projetado para receber um público muito maior que os estádios anteriores. A capacidade ampliada permitiu que Manaus sediasse clássicos locais, amistosos com clubes de outras regiões e partidas de competições nacionais. O estádio também se tornou a principal casa dos grandes jogos do Campeonato Amazonense.

Com a expansão do futebol brasileiro, o Vivaldo Lima passou a receber partidas do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e de competições regionais. Jogos envolvendo Nacional, Rio Negro, Fast Clube e outras equipes locais levaram torcedores ao estádio em diferentes fases da história.

Um dos momentos lembrados pelos torcedores foi o amistoso entre Brasil e Colômbia, realizado em 20 de dezembro de 1995, na reabertura do estádio após obras de remodelação. A seleção brasileira venceu por 3 a 1, em uma partida que reforçou a importância do Vivaldão como palco esportivo da cidade.

O estádio também recebeu confrontos de clubes amazonenses contra equipes de grande torcida nacional. O Nacional enfrentou o Vasco da Gama pela Copa do Brasil, em uma das partidas que ajudaram a aproximar o futebol local de competições de maior visibilidade.

O fim do Vivaldão e a preservação do nome

A escolha de Manaus como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 levou à construção de uma arena moderna no mesmo local do Vivaldão. O antigo estádio foi demolido em 2010, depois de quatro décadas de atividades.

A substituição provocou forte reação emocional entre torcedores, principalmente porque o Vivaldão estava associado a clássicos, grandes públicos e momentos marcantes do futebol amazonense. A mudança também encerrou um ciclo iniciado em 1970, quando a cidade passou a contar com uma arena de maior porte para receber partidas nacionais.

A nova Arena da Amazônia foi inaugurada em 2014 e sediou jogos da Copa do Mundo. Embora tenha substituído fisicamente o Vivaldo Lima, a homenagem ao antigo estádio foi mantida no nome oficial: Arena da Amazônia – Vivaldo Lima.

A manutenção do nome foi estabelecida por lei estadual de dezembro de 2013, como forma de preservar a memória do antigo estádio e de reconhecer a trajetória de Vivaldo Lima no esporte do Amazonas. A informação consta no Diário Oficial do Estado do Amazonas.

Estádios ajudam a preservar a memória do futebol

A trajetória desses estádios mostra como o futebol amazonense se desenvolveu em etapas. O Parque Amazonense representa os primeiros anos de organização dos campeonatos e a convivência entre o futebol e o turfe. A Colina simboliza a força dos clubes de bairro, dos clássicos e da identificação entre torcida e estádio. O Vivaldão expressa a expansão do esporte para uma escala regional e nacional.

Mesmo quando deixam de existir ou passam por reconstruções, os estádios permanecem presentes na memória dos torcedores. Os nomes dos clubes, os apelidos das praças, as arquibancadas lotadas e os jogos contra equipes de outras regiões formam um patrimônio cultural que vai além dos resultados em campo.

No Amazonas, contar a história do futebol também significa lembrar os lugares onde essa história aconteceu. Parque Amazonense, Colina e Vivaldão ajudaram a transformar partidas em tradições, clubes em símbolos locais e torcedores em guardiões de uma memória esportiva que continua sendo transmitida entre gerações.