sábado, 26 de setembro de 2026
SAÚDE

Como prevenir doenças durante a seca dos rios no Amazonas

Durante a seca dos rios no Amazonas, a população deve redobrar os cuidados com a qualidade da água, o armazenamento de reservatórios, a exposição à fumaça, o calor e a proliferação de mosquitos. Veja como prevenir doenças e quando procurar atendimento.

A prevenção de doenças durante a seca dos rios no Amazonas exige cuidados com a água, os alimentos, o calor, a fumaça das queimadas e o armazenamento de reservatórios. A redução do nível dos rios pode dificultar o acesso à água potável e levar comunidades a utilizar fontes alternativas, muitas vezes sem tratamento adequado.

De acordo com o Ministério da Saúde, períodos prolongados de seca podem aumentar o risco de desidratação, insegurança alimentar, doenças relacionadas à água e agravamento de problemas respiratórios. No Amazonas, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) também orienta a população a reforçar medidas de higiene e tratamento da água durante eventos de estiagem. (gov.br)

Por que a seca dos rios aumenta os riscos à saúde

A estiagem altera a rotina de comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas. Com a redução do volume dos rios, o deslocamento até pontos de abastecimento pode ficar mais difícil, enquanto a água disponível pode apresentar maior concentração de sujeira e microrganismos.

O uso de poços, cacimbas, igarapés, cisternas, carros-pipa ou água armazenada requer atenção. Sem filtração, desinfecção e acondicionamento adequado, a água pode transmitir doenças como diarreia, hepatite A, giardíase, verminoses e outras infecções. A desidratação também se torna uma preocupação, sobretudo entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

O período seco ainda pode favorecer queimadas e piorar a qualidade do ar. A fumaça contém partículas e gases capazes de irritar os olhos e as vias respiratórias, além de agravar asma, bronquite, doença pulmonar e problemas cardiovasculares. (gov.br)

Como tornar a água segura para beber

A água destinada ao consumo deve ser tratada mesmo quando parece limpa. A recomendação do Ministério da Saúde é filtrar ou coar a água e, depois, utilizar hipoclorito de sódio a 2,5%, na proporção indicada para o produto.

Para um litro de água, a orientação oficial é adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5%, misturar bem e esperar 30 minutos antes do consumo. A água tratada deve ser guardada em recipiente limpo, tampado e de uso exclusivo para beber. O produto não deve conter perfume, alvejante, corante ou outros aditivos.

Na ausência do hipoclorito, a água pode ser filtrada ou coada e fervida por cinco minutos depois do início da fervura. Após esfriar, deve ser armazenada em recipiente limpo e fechado. A água tratada com hipoclorito deve ser consumida em até 24 horas, conforme a orientação do Ministério da Saúde. (gov.br)

O hipoclorito deve ser usado exclusivamente conforme a indicação do rótulo ou da autoridade de saúde. Não se deve aumentar a quantidade por conta própria, misturar o produto com outras substâncias ou utilizá-lo para fins diferentes do tratamento da água de consumo.

Cuidados no armazenamento da água

Durante a seca, a reserva de água precisa ser protegida desde a coleta até o momento do uso. Os recipientes devem estar limpos, ter tampa e, de preferência, possuir abertura estreita. A retirada da água deve ser feita sem mergulhar copos, conchas ou outros utensílios sujos no recipiente.

Caixas-d’água, tambores, tonéis, galões e cisternas precisam permanecer bem vedados. A limpeza dos recipientes deve ser feita regularmente, com atenção às orientações dos serviços de saúde e às características do reservatório. Água para beber e cozinhar deve ficar separada da água usada para lavar roupas, limpar áreas externas ou dar descarga.

Também é importante lavar as mãos antes de manipular a água, os alimentos e os utensílios de cozinha. Frutas, verduras e legumes devem ser higienizados com água tratada. Alimentos com cheiro, aparência ou sabor alterados não devem ser consumidos.

Evite criar focos do mosquito da dengue

O armazenamento emergencial de água pode criar condições para a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya. Por isso, todos os recipientes devem permanecer fechados, sem frestas ou aberturas que permitam a entrada do mosquito.

Uma vez por semana, é recomendável vistoriar o quintal, a área de serviço, o entorno da casa e os locais de armazenamento. Baldes, garrafas, pneus, bandejas, calhas, vasos de plantas e outros objetos que acumulem água devem ser eliminados, esvaziados ou lavados com escova e sabão.

Não basta apenas jogar a água fora. Os ovos do mosquito podem ficar presos nas paredes dos recipientes. A limpeza mecânica ajuda a remover esses resíduos e reduz a possibilidade de novas larvas. Reservatórios maiores, como caixas-d’água, poços e tambores, devem ser mantidos completamente tampados. (saude.am.gov.br)

Como se proteger do calor e da desidratação

O calor intenso aumenta a perda de líquidos pelo suor e pode provocar dor de cabeça, tontura, fraqueza, boca seca, cansaço e redução da urina. Crianças pequenas, pessoas idosas, gestantes e indivíduos com doenças cardíacas ou renais precisam de atenção especial.

Sempre que possível, beba água em pequenas quantidades ao longo do dia e evite esperar a sede aparecer. Reduza atividades físicas nos horários mais quentes, procure locais ventilados e use roupas leves, chapéu ou boné. A exposição direta ao sol deve ser evitada principalmente entre o fim da manhã e o meio da tarde.

Em caso de vômitos ou diarreia, a pessoa pode perder líquidos rapidamente. O soro de reidratação oral deve ser utilizado conforme as instruções da embalagem ou orientação de um profissional de saúde. Não prepare soluções caseiras com medidas aproximadas de sal e açúcar, pois concentrações incorretas podem causar riscos.

Reduza a exposição à fumaça das queimadas

Quando houver fumaça ou alerta de baixa qualidade do ar, a principal medida é permanecer em ambiente interno, protegido e bem ventilado quando as condições externas permitirem. Portas e janelas podem ser mantidas fechadas nos horários de maior concentração de fumaça.

Exercícios físicos, corridas e trabalhos pesados ao ar livre devem ser evitados durante episódios de poluição intensa. A ingestão regular de água ajuda a manter as vias respiratórias hidratadas. Quem precisar sair deve considerar o uso correto de respirador do tipo N95, PFF2 ou P100, que reduz a inalação de partículas, mas não elimina todos os riscos da fumaça.

Máscaras cirúrgicas ou de tecido não oferecem a mesma proteção contra partículas finas. Crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, cardíacas ou imunológicas devem seguir as orientações oficiais com atenção redobrada e manter os medicamentos prescritos disponíveis. (gov.br)

Reconheça os sinais de alerta

Em casos de possível contaminação da água, procure atendimento se houver diarreia intensa ou persistente, sangue nas fezes, vômitos repetidos, febre, dor abdominal forte, sinais de desidratação ou piora rápida do estado geral.

Após exposição à fumaça, tosse persistente, chiado, falta de ar, dor ou dificuldade para respirar, dor no peito, febre alta, confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio exigem avaliação imediata em uma unidade de urgência. Pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar ou problema cardíaco devem buscar ajuda mais cedo diante de qualquer piora dos sintomas. (cias.mg.gov.br)

Febre, dor no corpo, manchas na pele, dor atrás dos olhos, sangramentos, dor abdominal intensa ou vômitos persistentes também devem ser avaliados por um serviço de saúde, especialmente em áreas com circulação de dengue ou outras arboviroses. A automedicação pode dificultar o diagnóstico e aumentar riscos.

Quem deve receber atenção prioritária

Durante a seca, famílias devem observar com maior cuidado crianças, idosos, gestantes, pessoas com deficiência, pacientes com doenças crônicas e moradores que dependem de fontes alternativas de água. É importante verificar se esses grupos têm acesso a água tratada, alimentos seguros, medicamentos de uso contínuo e condições adequadas de ventilação.

Comunidades podem organizar a distribuição de água potável, compartilhar informações de fontes oficiais e comunicar às autoridades locais problemas de abastecimento, aumento de casos de diarreia, presença de fumaça intensa ou focos de mosquito. A prevenção depende tanto das atitudes dentro de casa quanto da resposta dos serviços públicos.

Onde buscar orientação

Em caso de dúvida sobre a qualidade da água, o uso de hipoclorito, sintomas de doenças ou necessidade de atendimento, a orientação deve ser procurada na Unidade Básica de Saúde, na Secretaria Municipal de Saúde ou nos canais oficiais da FVS-RCP e da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas.

O Ministério da Saúde mantém orientações sobre secas, água para consumo, arboviroses e exposição à fumaça. A população também deve acompanhar os alertas emitidos pelas autoridades locais e seguir as recomendações específicas para cada comunidade ou município.

A combinação de água segura, reservatórios protegidos, controle de criadouros, hidratação, proteção contra o calor e redução da exposição à fumaça ajuda a prevenir doenças e a reduzir complicações durante a seca dos rios no Amazonas.