quarta-feira, 23 de setembro de 2026
SEGURANÇA

Projeto prevê ressarcimento de tornozeleira eletrônica por agressor de mulher

Projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê que agressores monitorados por tornozeleira eletrônica ressarçam os custos de cessão e manutenção do equipamento. Valores seriam destinados a políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.
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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê que o agressor de uma mulher possa ser obrigado a ressarcir os custos de cessão e manutenção da tornozeleira eletrônica usada em seu monitoramento. A medida está prevista no Projeto de Lei 3006/26, que altera a Lei Maria da Penha.

De acordo com o texto, o juiz poderá determinar o pagamento levando em consideração a capacidade econômica do infrator. A proposta, apresentada pelo deputado Júnior Ferrari (PSD-PA), foi divulgada pela Agência Câmara em 22 de setembro de 2026.

Pagamento não condiciona medida protetiva

O projeto estabelece que o ressarcimento não poderá ser usado como condição para a concessão ou a manutenção de medida protetiva de urgência. Dessa forma, a proteção destinada à vítima não dependeria do pagamento dos custos do equipamento.

Nos casos em que o agressor comprovar insuficiência econômica, a despesa continuaria sendo assumida pelo poder público. A regra busca considerar a situação financeira do monitorado sem interromper o uso da tornozeleira ou prejudicar a fiscalização das medidas determinadas pela Justiça.

Recursos seriam destinados a fundo

Segundo a proposta, os valores arrecadados seriam encaminhados a um fundo voltado às políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. A cobrança do valor devido poderia ocorrer conforme as regras previstas na legislação civil.

Na justificativa, o autor cita dados do Conselho Nacional de Justiça segundo os quais o Brasil tem mais de 100 mil pessoas monitoradas eletronicamente. O texto também menciona que o custo médio de cada equipamento varia entre R$ 200 e R$ 300 por mês, atualmente suportado pelo Estado.

Para o deputado, a medida criaria uma forma de responsabilização patrimonial sem comprometer a segurança das vítimas. A proposta pretende que o autor da violência contribua para cobrir despesas relacionadas à própria conduta, mantendo a atuação estatal no acompanhamento do cumprimento das decisões judiciais.

Como será a tramitação

O PL 3006/26 será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A tramitação ocorrerá em caráter conclusivo nas comissões, mas o projeto ainda precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores para se transformar em lei. Até essa aprovação, a proposta não altera as regras atualmente aplicadas ao monitoramento eletrônico nem cria obrigação de pagamento para os agressores.

Fonte: Agência Câmara de Notícias