quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Política

Decisão que determina retorno de Filó ao Cetas mobiliza vereador em Manaus

Aldenor Lima contesta o encaminhamento da capivara ao centro do Ibama e defende que a medida seja precedida por avaliação técnica atualizada sobre a saúde do animal e as condições de acolhimento.
Decisão que determina retorno de Filó ao Cetas mobiliza vereador em Manaus
Foto: Paulo Pascareli/Assessoria

O vereador Aldenor Lima (União Brasil) contestou, durante sessão da Câmara Municipal de Manaus, a decisão da Justiça Federal que determina o retorno da capivara Filó ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Manaus. A sentença, proferida na terça-feira (13 de outubro), fixou prazo de 30 dias para que Agenor Tupinambá entregue o animal ao órgão ambiental.

De acordo com a decisão mencionada pelo parlamentar, a finalidade do encaminhamento é a reabilitação de Filó e uma possível reintegração à natureza. Aldenor, que preside a Comissão de Proteção e Bem-estar Animal (Compets), afirmou que o centro não teria estrutura adequada para receber a capivara e que o retorno poderia representar risco à vida do animal.

Questionamento sobre avaliação atual

Médico-veterinário, o vereador defendeu que qualquer providência relacionada ao caso considere a situação atual de Filó, incluindo as condições de saúde, o comportamento do animal e a capacidade do local destinado ao acolhimento. Ele também questionou a ausência de uma nova perícia judicial antes do cumprimento da sentença.

“A capivara Filó está saudável, circula livremente na natureza, inclusive, passa dias sem aparecer porque está vivendo instintivamente”, declarou Aldenor. Segundo ele, a prioridade deveria ser a segurança e o bem-estar do animal, com base em avaliações técnicas atualizadas e nas condições efetivas do Cetas.

Na manifestação, o vereador leu trecho da decisão judicial que descreve a relação de Agenor Tupinambá, morador da zona rural de um pequeno município do Amazonas, com a floresta e os animais. Aldenor interpretou o conteúdo como uma indicação de que a capivara deveria ser retirada do Ibama e afirmou que o centro não teria estrutura para abrigar animais silvestres.

Atuação desde 2023

Aldenor acompanha o caso desde 2023, quando participou da mobilização pela devolução de Filó ao ambiente em que vivia. Na ocasião, esteve no Cetas com a deputada estadual Joana Darc (União Brasil) e profissionais habilitados para avaliar as condições do animal.

O vereador afirmou que está disposto a participar de uma nova avaliação, caso ela seja realizada. Para ele, decisões sobre fauna silvestre devem observar as particularidades de cada espécie e evitar que a destinação do animal seja definida sem a análise das condições concretas de acolhimento, reabilitação e eventual retorno à natureza.

Durante o pronunciamento, Aldenor também criticou a prioridade dada pelo órgão ambiental ao caso. Na avaliação do parlamentar, o foco deveria incluir a situação das queimadas no Amazonas, a responsabilização de quem provoca incêndios e os efeitos desses crimes sobre a floresta e os animais.

O que foi informado

A manifestação de Aldenor apresenta como fundamentos de sua posição a experiência como médico-veterinário, a visita anterior ao Cetas e a defesa de que Filó aparenta estar saudável e viver em liberdade. No entanto, não detalha quais seriam as condições estruturais consideradas precárias, nem apresenta uma nova perícia ou outros dados técnicos atuais que sustentem essa avaliação.

Também não foram informados, na divulgação, os critérios previstos para a reabilitação, o cronograma das etapas após a entrega ou quais profissionais fariam uma eventual nova análise do animal. O prazo de 30 dias citado refere-se à entrega de Filó ao Ibama, conforme a sentença mencionada, e não a um resultado final sobre a reintegração à natureza.

Ao encerrar a manifestação, o vereador disse que continuará mobilizado para que a segurança, a saúde e o bem-estar da capivara sejam considerados na condução do caso. A decisão judicial, contudo, permanece apresentada como determinante do retorno do animal ao Cetas dentro do prazo estabelecido.

Fonte: Camara dos Vereadores Manaus.

Foto: Paulo Pascareli/Assessoria